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quarta-feira, 26 de junho de 2013

Leonardo Boff opina sobre os protestos no Brasil.



Estou fora do pais, na Europa a trabalho e constato o grande interesse que todas as mídias aqui conferem às manifestações no Brasil. 

Há bons especialistas na Alemanha e França que emitem juízos pertinentes. Todos concordam nisso, no caráter social das manifestações, longe dos interesses da política convencional. É o... triunfo dos novos meios e congregação que são as mídias sociais.

O grupo da libertação e a Igreja da libertação sempre avivaram a memória antiga do ideal da democracia,presente, nas primeiras comunidades cristãs até o século segundo pelo menos.Repetia-se o refrão clássico:"o que interessa a todos, deve poder ser discutido e decidido por todos". E isso
funcionava até para a eleição dos bispos e do Papa. Depois se perdeu esse ideal nas nunca foi totalmente esquecido. O ideal democrático de ir além da democracia delegatícia ou representativa e chegar à democracia participativa, de baixo para cima, envolvendo o maior número possível de pessoas, sempre esteve presente no ideário dos movimentos sociais, das comunidades de base,dos Sem Terra e de outros. Mas nos faltavam os instrumentos para implementar efetivamente essa democracia universal, popular e participativa. Eis que esse instrumento nos foi dado pelas várias mídias sociais. Elas são sociais, abertas a todos. Todos agora tem um meio de manifestar sua opinião, agregar pessoas que assumem a mesma causa e promover o poder das ruas e das praças. O sistema dominante ocupou todos os espaços. Só ficaram as ruas e as praças que por sua natureza são de todos e do povo. Agora surgiram a rua e a praça virtuais, criadas pelas midias sociais.

O velho sonho democrático segundo o qual o que interessa a todos, todos tem direito de opinar e contribuir para alcançar um objetivo comum, pode em fim ganhar forma.
Tais redes sociais podem desbancar ditaduras como no Norte da Africa, enfrentar regimes repressivos como na Turquia e agora mostram no Brasil que são os veículos adequados de reivindicações sociais, sempre feitas e quase sempre postergadas ou negadas: transporte de qualidade, saúde, educação, segurança, saneamento básico. São causas que tem a ver com a vida comezinha, cotidiana e comum à maioria dos mortais. Portando, coisas da Política em maiúsculo.

Nutro a convicção de que a partir de agora se poderá refundar o Brasil a partir de onde sempre deveria ter começado, a partir do povo mesmo que já encostou nos limites do Brasil feito para as elites. Estas costumavam fazer
políticas pobres para os pobres e ricas para os ricos. Essa lógica deve mudar daqui para frente. Ai dos políticos que não mantiverem uma relação orgânica com o povo. Estes merecem ser varridos da praça e das ruas.
Escreveu-me um amigo que elaborou uma das interpretações do Brasil mais originais e consistentes, o Brasil como grande feitoria e empresa do Capital
Mundial, Luiz Gonzaga de Souza Lima. Permito-me citá-lo:

"Acho que o povo esbarrou nos limites da formação social empresarial, nos limites da organização social para os negócios. Esbarrou nos limites da Empresa Brasil.
E os ultrapassou. Quer ser sociedade, quer outras prioridades sociais, quer outra forma de ser Brasil, quer uma sociedade de humanos, coisa diversa da sociedade dos negócios. É a Refundação em movimento".

Creio que este autor captou o sentido profundo e para muitos ainda escondido das atuais manifestações multitudinárias que estão ocorrendo no Brasil.
Anuncia-se um parto novo. Devemos fazer tudo para que não seja abortado por aqueles daqui e de lá de fora que querem recolonizar o Brasil e condená-lo a ser apenas um fornecedor de commodities para os países centrais que
alimentam ainda uma visão colonial do mundo, cegos para os processos que nos conduzirão fatalmente à uma nova consciência planetária e a exigência de uma governança global. Problemas globais exigem soluções globais. Soluções
globais pressupõem estruturas globais de implementação e orientação. O Brasil pode ser um dos primeiros nos quais esse inédito viável pode começar a sua marcha de realização. Dai ser importante não permitirmos que o
movimento seja desvirtuado. 
Música nova exige um ouvido novo.
Todos são convocados a pensar este novo, dar-lhe sustentabilidade e faze-lo frutificar num Brasil mais integrado, mais saudável, mais educado e melhor servido em
suas necessidades básicas.

Leonardo Boff - Munique > Paris 24/06/2013

domingo, 23 de junho de 2013

RELEASE  DO LIVRO DO PICADEIRO AO CÉU: O RISO NA OBRA DE ARIANO SUSSUANA
AUTOR:  PAULO CALDAS NETO
DATA: 27 DE JUNHO DE 2013
HORA: 18      h
LOCAL: LIVRARIA NOBEL EM FRENTE AO HOSPITAL WALFREDO GURGEL
EDITORA: NAVE DA PALAVRA DA UBE/RN
R$ 40,00
Coleção Deífilo Gurgel (ENSAIO), vol. 2,
“Dividido em duas partes, a obra apresenta na primeira a essência do riso em Suassuna e as suas relações estéticas, remetendo a teóricos da notoriedade de Henri Bergson, Jolles, Sigmund Freud e Vladímir Propp. Em um segundo momento, Paulo Caldas foca seu estudo na teoria do pensador russo Mikhail Bakhtin, relacionando o riso suassuniano com os folguedos populares. Fechando o livro, o autor examina a importância do tema em questão – o riso em Suassuna – para a cultura brasileira, refletindo sobre seu papel no contexto sociocultural do país.”

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Azymuth lança SOMBRAS no dia 20.

Amigos da Cultura do RN,


  A Azymuth convida você para o lançamento do livro ...Sombras... do autor Américo Macêdo (1877-1948).

  Publicado originalmente em 1945 com prefácio de Luís da Câmara Cascudo. Trata-se de uma edição fac-        similar; com introdução e notas de Wandyr Villar.


  Local e data do lançamento

  Dia 20/06/2013 (quinta-feira) as 18hs. Cooperativa Cultural UFRN - Centro de Convivência.

  Valor e Formas de Pagamento

  R$ 27,00 - Pagamento em dinheiro, cartões de crédito e débito. Parte das vendas ajudará o Hospital Infantil     Varela Santiago.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Mensagem da irmã Ana Maria.


não consigo REGISTRAR minha mensagem no blog.poetisa......
Li hoje no blog uma mensagem de Bosco Araujo
Se você quiser registrar minha mensagem no meu lugar a mensagem é ESTA AQUI:

......mas é uma pena não ver mais ao vivo essa casa onde "EU" e muitos outros nascemos e convivemos com uma vizinhança que se mudaram ou não existe mais.
“ (.......)
OS GESTOS QUE JÁ NÃO SE VÊEM
OS SONS QUE JÁ NÃO SE OUVEM
É O SILÊNCIO DE QUEM ESCREVE”

“A POESIA É UMA HISTÓRIA PARA CONTAR”  (pp. 19-22)  Ana Maria Cortez

domingo, 9 de junho de 2013

Demolição do casarão.







Parece que a aviação de Israel atuou aqui...  Mas é o resultado da demolição do casarão comprado por Manuel Genésio Cortez Gomes, em 1938, na rua Felipe Camarão, 453, Cidade Alta, em Natal, onde Maria Natividade Cortez Gomes e o seu marido construíram uma família com 9 homens e 8 mulheres.

domingo, 2 de junho de 2013

MORRE JOÃO COTA, CONTADOR DE HISTÓRIAS NISIAFLORESTENSE

Por Redação, do Nísia Digital.
Luto de mt dor pra mimFaleceu por volta das 10h deste domingo (2) o Sr. João Cota, contador de história de Nísia Floresta. Ele sofreu um infarto no final da tarde de ontem, foi socorrido e levado para o hospital Deoclécio Marques, na cidade de Parnamirim. Aos 95 anos de idade, João não resistiu e a sua família informou a sua morte na manhã de hoje. O corpo será velado no centro de velórios, localizado no Centro da cidade, e o sepultamento está marcado para às 8h, de amanhã, no cemitério municipal.
A professora Rejane de Souza enviou ao Nísia Digital um texto de autoria de Fernando Alves Pereira, Graduado em Educação Física, Letras e Direio/Especialista em Direito Processual Civil, Mestre e Doutor em Estudos da Linguagem (Literatura comparada), que é intitulado “João Coto – Caboclo forte das bandas de Papary. Confira a seguir:
João Cota, um caboclo forte
Das bandas de Papari
Que nasceu iluminado
Pela estrela de Davi
Trabalhou desde menino
Sem nunca enjeitar dureza,
Cresceu aprendendo a ler
No livro da Natureza
A escola era o roçado
Seu pai foi o professor
A caneta era a enxada
Muito cedo se formou
Nas veredas dessas brenhas
Pela vida madrugou
Topou com almas penadas
Mas nunca se amedrontou
Enfrentou o “Batatão”
Como seu pai lhe ensinou
Amostrou-lhe a chama acesa
E o bicho desencantou
Viu “Mãe d’água” ao meio dia
“Bebê chorão” meia noite
Viu também cabra safado
Querendo lhe dar açoite
Mas desaforo pra casa
João Cota nunca levou
Na ponta de sua faca
Até alma se borrou:
Uma noite ele passava
Na frente dum cemitério
Uma alma disfarçada
Veio lhe dizer impropério
Sacou de sua peixeira
Em menos de um segundo:
- Maldita, repita o dito
Pr’eu te mandar pro profundo!-
A alma tremeu de medo
Vendo tal disposição
Gritou aflita: – meu Deus!
Não me mate não, João! -
- Então se diz quem tú és!
E o que diabo quer de mim!
Porque se não mato mesmo!
Porque comigo é assim!-
A alma disse:
- eu não sou alma não João
Só queria dar-te um susto
Mas vi que és macho mesmo
Caboclo forte e robusto.-
Nos folguedos populares
João Cota se divertiu
Foi Gajeiro e foi Mateus
Do folclore do Brasil
Namorou tantas pastoras
Que chega a se rir quando diz
Mas foi com dona Geralda
Que João Cota foi feliz
Amor à primeira vista
Pra nunca mais se acabar
Bebeu água sem ter sede
Mode um beijo lhe roubar
Com seu Pai João aprendeu
O valor de trabalhar
Com sua mãe aprendeu
Como é que se deve amar
Com Geralda ele é feliz
Pra’s estórias nos contar
E felizes serão pra sempre
Enquanto a vida durar
Vejam só como é certeira!
A volta que o mundo dá
Pois na roda desta vida
João foi pra lá veio pra cá
Enjeitado na Escola
Amargou intensas dores
E hoje aqui nesta roda
Dá aula a professores.