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segunda-feira, 27 de abril de 2015

Um vialejo soprado pela inocência varonil

Por João Bosco de Araújo
Jornalista  boscoaraujo@assessorn.com

Sair assoprando àquela gaita foi uma alegria fascinante, uma experiência ainda não vivida. A não ser em sonho. “Ei, ei, menino, traga isso de volta”. Eu já estava perto de dobrar a esquina da bodega de Abraão, no cruzamento da Seridó com a Augusto Monteiro. O grito do vendedor ambulante não me alcançava, esforço que ele fez saindo ligeiro de seu ponto comercial, em frente ao consultório dentário de Dr. José Dantas, perto do açougue.

O som mágico extraído do pequeno instrumento me deixava flutuando em imaginações, só percebendo sua presença ao ser segurado pelo braço: “Garoto, me devolva esse vialejo”, repetia com voz áspera,  surpresa que me constrangia e me embaraçava, ainda entrelaçado pelo som do instrumento na boca.

Sem negócio, ele retorna empunhando a gaitinha que sumiu em sua mão. Eu sigo no caminho de casa, pertinho dali, sem compreender àquela cena inusitada, do impulso imediato de pegar aquele vialejo dentro do balaio e sair, livremente, a tocar, naquele dia de feira livre em Caicó.

O preço foi a decepção de perder a liberdade daquela conquista e saber que aquilo tudo tinha um valor a pagar; além da norma mercadológica, inocência estampada ao pegar o vialejo e sair tocando, em alto som, rua afora, para espanto daquele pobre comerciante de bugigangas.

Santa inocência, justiça seja feita, mas aqueles poucos segundos de instrumentação executados no pequenino vialejo foram de muita felicidade, sensação de puro êxtase musical.

Quer apostar?

©2015 www.AssessoRN.com | Jornalista Bosco Araújo


Vídeo com Bernardo Prata:

terça-feira, 21 de abril de 2015

UBE/RN quer a criação do Dia Potiguar da Literatura Infanto Juvenil. Eduardo Gosson pede o apoio da Assembléa Legislativa.

DOCUMENTO 01 -
Excelentíssimo Senhor
DEPUTADO EZEQUIEL FERREIRA
DD. Presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Norte



Senhor Presidente:


A União Brasileira de Escritores – UBE-RN, fundada em 14 de agosto de 1959, vem localmente e nacionalmente, desde o seu primeiro presidente Raimundo Nonato da Silva, desenvolvendo CAMPANHAS em defesa do LIVRO, da LEITURA, da LITERATURA e das BIBLIOTECAS com a convicção de que o Estado do Rio Grande deve se tornar um estado leitor e, dessa forma, dar a sua contribuição para que o Brasil também se torne um país de leitores. A última Campanha foi desenvolvida faz dois anos através da colocação de banners em pontos estratégicos da cidade e contou com a participação de diversas entidades, tendo sido, inclusive, apoiada pelo Tribunal de Justiça do RN. Na época, o slogan utilizado foi o seguinte: “Presentear com livros é muito bom. De autor potiguar, melhor ainda”.
Decorrido algum tempo daquela iniciativa, precisamos fazer um balanço do reflexo daquelas ações, corrigir rumos, incorporar novos parceiros e avançar em direção aos objetivos propostos, reeditando campanhas que possam dar continuidade a esse ideal. Dentre outros posicionamentos, por exemplo, pensamos que o ideal seria que um dia, no Brasil, o preço do livro venha a ser igual ao de um litro de leite e que as edições cheguem a um milhão de exemplares, como na velha Rússia.
Então, o livro precisa ser valorizado e ter o seu acesso democratizado a uma quantidade cada vez maior de leitores.
De suma importância é que o livro infantil e juvenil possa estar cada vez mais presente no recesso do lar das pessoas e que seja muito mais valorizado nas escolas das redes de ensino do estado.
Pensando nisso, observamos que hoje existem duas datas para se comemorar o livro infantil: o dia 02 de abril, eleito como o DIA INTERNACIONAL DO LIVRO INFANTOJUVENIL (natalício do escrito dinamarquês Hans Christian Andersen) ; e o dia 18 de abril, considerado como o DIA NACIONAL DO LIVRO INFANTOJUVENIL (natalício do escritor brasileiro Monteiro Lobato).
Dessa forma, a União Brasileira de Escritores – UBE/RN, pretende encaminhar aos nobres deputados estaduais do RN (ao tempo em que pede o apoio aos vereadores de Natal) um projeto de lei no sentido de que o dia 08 DE SETEMBRO seja consagrado no calendário do Rio Grande do Norte como sendo o DIA POTIGUAR DO LIVRO INFANTOJUVENIL (ou como sendo o DIA DA LITERATURA INFANTOJUVENIL POTIGUAR..... decidir qual dos dois...)
A proposta desta data se prende ao fato de que essa é o dia do natalício da escritora potiguar Nati Cortez (08/09/1914-1989), pela sua grande contribuição ao gênero. Ela foi a primeira escritora potiguar que se dedicou a escrever para crianças e para os jovens.
Exatamente por essa razão, e no intuito desse reconhecimento, a UBE/RN criou dentro do seu plano editorial a Coleção Nati Cortez (infantojuvenil), tendo já inaugurado essa coleção com a publicação de sua peça “O maribondo amoroso”. Além dessa peça, a autora escreveu várias obras destinadas a esse público, de forma pioneira no estado. Por isso, ela pode ser considerada como “a mãe da nossa literatura infantojuvenil”, o que a credencia a ser a patrona da data de 08 de setembro como o DIA POTIGUAR DA LITERATURA INFANTOJUVENIL.
Por tudo o que foi exposto, a UBE/RN convida Vossa Excelência a ser o padrinho desta ideia junto ao Poder Legislativo, o que enobrece e valoriza o livro infantojuvenil produzido aqui no estado, e também se reveste de grande significação cultural para a nossa literatura, ao tempo em que homenageia e reconhece o trabalho de uma de nossas mais diletas autoras.

Na certeza de sua atenção e sensibilidade para a presente proposta, desde já apresentamos os nossos agradecimentos.
Natal/RN, 22 de Abril de 2015
Eduardo Antonio Gosson
Vice-Presidente no exercício da presidência da UBE-RN

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Ambientalistas lançam documentário sobre o rio Potengi.

O filme será lançado dia 24 em duas sessões abertas ao público e aborda a relação das pessoas com o rio e esclarece o desastre que matou 40 toneladas de peixes em 2007

Fotos por assessoria: divulgação
No dia 24 deste mês acontece a pré-estreia do documentário Rio Contado, dos analistas ambientais Airton De Grande e Alvamar Queiroz. O evento, que será realizado no auditório do Ibama, conta com duas sessões abertas ao público: às 14h e 19h. Na véspera, no dia 23 às 14h30, haverá uma exibição exclusiva para a imprensa. O filme, de 1h40, mostra a relação das pessoas com um dos principais rios do Rio Grande do Norte, o que dá nome ao estado, o Rio Potengi. Segundo Alvamar Queiroz, para quem o rio faz parte da própria vida, “O poder público ainda não deu a atenção que o Potengi precisa. Rio Contado é um recado claro para as autoridades."

Resultado de uma produção independente, o filme é dirigido pelo documentarista Airton De Grande, mestre em Multimeios pela Unicamp. "Logo percebemos que abordar apenas a temática ambiental deixaria o filme triste e entediante. O que dá vida ao rio e, consequentemente, ao documentário, são as
pessoas que moram em suas margens", aponta De Grande. A equipe percorreu, durante dois anos e meio, cerca de 1,5 mil km e ouviu mais de 100 pessoas desde a sua nascente em Cerro Corá, passando por São Tomé, Barcelona, São Paulo do Potengi, São Pedro, Ielmo Marinho, São Gonçalo do Amarante até chegar à sua foz, em Natal.

No decorrer do percurso do Potengi, cerca de 180 Km, eles registraram as diferentes visões e a memória dos ribeirinhos, que recriam a vida do Potengi através de histórias inusitadas, lembranças de infância, melodias saudosas e até relatos fantásticos, como casos de assombração e de um navio fantasma. O filme mostra também a importância das águas do Potengi para a população e como a urbanização e o progresso o agridem, retirando sua areia, jogando lixo e esgoto em seu leito - todas as cidades, da nascente à foz, lançam esgotos no Potengi. Em Ielmo Marinho, por exemplo, a retirada descontrolada de areia do rio provocou o rebaixamento do lençol freático, deixando os agricultores sem água em suas terras.

A narrativa é estruturada em 17 blocos que permitem ao espectador acompanhar tanto o deslocamento do rio pelo estado quanto as temáticas que abrange, como economia, cultura, religião, lendas, etc. Além de populares, foram entrevistados também intelectuais e acadêmicos, como os jornalistas Vicente Serejo e Woden Madruga, o fotógrafo Giovanni Sérgio, o artista plástico Dorian Gray Caldas, a historiadora Fátima Martins Lopes, que alternam saborosos depoimentos pessoais com registros históricos.


O filme traz à tona também um caso que ainda permanece envolto numa espécie de mistério: o desastre ambiental do estuário do Potengi, em 2007, quando morreram 40 toneladas de peixes. Com base em depoimentos e documentos inéditos disponibilizados pela Polícia Federal e Ibama, o documentário reconstrói o episódio, que está entre os maiores acidentes ambientais do Brasil. Na ocasião, a culpa recaiu sobre a fazenda de camarões do grupo Veríssimo & Filhos. Porém, as informações agora reveladas pelo filme mostram que os responsáveis foram outros. E que até o momento permanecem incólumes. "O rio tem muitas histórias bem contadas, mas esta estava mal contada. A população precisava conhecer o desfecho dessa história, que tinha detalhes até hoje escondidos", esclarece De Grande. [por assessoria de imprensa]


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Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN.com em 4/16/2015 08:25:00 P

segunda-feira, 13 de abril de 2015


bárbara heliodora, quem diria, tinha uma frustração relativa ao rio grande do norte.
nos anos 40, câmara cascudo deu ao pai dela uma coleção de textos de peças, algumas em italiano, integrantes do repertório teatral que, até os anos 60, os circos que perambulavam pelo interior do nordeste apresentavam como segunda parte do espetáculo diário.
a coleção representava um tipo de "elo perdido" entre a tradição teatral européia e os circos brasileiros. muitos deles nasceram pelas mãos de ciganos europeus, ou migrantes italianos, como o famoso Nerino,
quem viveu em alguma cidade do interior do brasil até os anos 60 deve lembrar-se de A louca do jardim, ou da Paixão de Cristo, peças icônicas do teatro circense.
eram de peças como essas a coleção doada por cascudo à mais importante crítica teatral brasileira. foi vendo-a que bárbara heliodora cresceu.
só que, em algum maldito momento, talvez em meio a alguma mudança, a coleção se perdeu, para tristeza e frustração de bárbara que, de sobrepeso, ainda se lamentava de não ter conhecido cascudo pessoalmente.
bom, essa história quem contou foi a própria bárbara heliodora, a mim e à repórter Sheyla Azevedo, em 2000, quando participávamos de um seminário em são paulo. mal tomamos uma mesa para o café, e aproximou-se aquela senhora alta e magra, com ar distinto e marcante.
- posso sentar com vocês? não gosto de tomar café sozinha.
perguntou os nossos nomes e nos apresentamos, muito prazer, somos de natal.
ela apresentou-se, sou bárbara heliodora, e uma alegria me percorreu a alma: estava diante da jornalista cujos textos n´o globo tanto apreciava, mais pelo estilo, pois talvez nunca tenha assistido a sequer uma das peças de que ela fazia a crítica. e nem tinha tanto interesse assim pelo teatro, lia pelo estilo e riqueza dos escritos.
e agora ela estava ali, bárbara heliodora.
e ao saber que éramos de natal, tomou o fato como uma madeleine e nos contou essa história.
Fonte: Facebook.com