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quarta-feira, 20 de julho de 2016

Poesias de Celso Cruz (Brocoió), filho de Celso Cruz e Dorinha, nossa saudosa prima , filha de tia Benedita Gomes da Silveira.


  1. Não há final sem começo
    Que do todo é a maior parte
    Sair do sonho é uma arte
    É o exercício do querer
    Plante se quiser colher
    Progredir não é só sonhar
    É querer realizar
    Dar ao sonho continuidade
    Perseguir com acuidade
    Ter foco no caminhar
    Ninguém realiza sonhos
    Se não tiver atitude
    Dê ao sonho magnitude
    Torne a vida interessante
    Dê início, siga avante
    Nunca deixe de sonhar
    Depois, é só acreditar
    Priorizando o começo
    Extraindo do tropeço
    Forças pra recomeçar
    Sempre qualquer começo
    Requer força, impulsão
    Vontade, motivação
    E respeito ao momento
    Daí ser o planejamento
    Uma essencial ferramenta
    Que norteia, orienta
    Desmistifica o sonhar
    Facilita o realizar
    Que nele se fundamenta.
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  2. Eu vi, eu juro que vi
    Pois eu nasci no nordeste
    E como um cabra da peste
    Fui criado no sertão
    Vi sair e entrar verão
    Quase morri de calor
    Eu sim, fui sabedor
    Do que é um lar fraterno
    Pois lá se faltava inverno
    Sempre sobrava amor

    O meu pai não era letrado
    Não conhecia a gramática
    Mas era bom em matemática
    Principalmente em dividir
    Nos fazia refletir
    Sobre o porque da divisão
    Do somar, se dá a mão
    O que por si só se explica
    Quem divide multiplica
    Se o faz de coração
    Eu vi, eu juro que vi
    Ao léu, à força do vento
    Puxando um magro jumento
    Um fugitivo da fome
    Não tinha número, nem nome
    Era apenas um Zé qualquer
    Ele, dois filhos e a mulher
    Mostrando o rosto cansado
    Ouvi do meu pai um murmurado
    Seja o que Deus quiser
    Eu e meu pai num cavalo
    Um outro trazendo a feira
    Debaixo de uma aroeira
    O meu pai parou, desceu
    Murmurou: filho, amor meu
    Segure as rédeas um instante
    O homem um pouco adiante
    Foi logo falando assim
    O que Deus mandou pra mim?
    Indagou baixo e tremulante
    Meu pai pegou o cavalo
    Que a feira vinha carregando
    E pro céu ficou olhando
    E disse muito obrigado
    Pois o que tem me faltado
    O Senhor sempre me deu
    E disse ao homem, é seu!
    Leve com cavalo e tudo
    Eu engasguei, fiquei mudo
    O homem assim respondeu
    Depressa ajoelhou-se
    E com os seus em oração
    Pediu chuva pro Sertão
    E pro meu pai longevidade
    Pra que sempre a caridade
    Ele pudesse praticar
    E disse quem sabe amar
    É um ser edificante
    Um pássaro, após voo rasante
    Nos brindou com seu cantar
    Meu pai Montou no cavalo
    Prosseguimos no caminhar
    Ouvindo o pássaro cantar
    Meu pai com um sorriso mudo
    Abandonou seu ar sisudo
    Mostrando-se um vencedor
    No jardim colheu uma flor
    E sob um sol em brasa
    Eu entendi porque em casa
    Nunca nos faltava amor
    Acordei para o café
    Sob o roncar de trovão
    Meu pai de enxada na mão
    Partiu cedo pro roçado
    Mamãe num cantarolado
    Numa das mãos uma flor linda
    Mesmo sem saber ainda
    O que íamos almoçar
    Disse ouvindo o tilintar
    É com chuva que Deus brinda.
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  3. Eu sei dizer com licença
    Por favor, muito obrigado
    Só não sei ficar calado
    Diante de uma injustiça
    Uma tênue linha fronteiriça
    É quem faz a separação
    Não cultuo a omissão
    Não posso ver e calar
    O fato de me manifestar
    Não é fugir da razão
    Não é falta de educação
    Deve-se aproveitar o momento
    Apoio qualquer movimento
    Que surja em nome da ética
    É atitude patética
    Quem cala por covardia
    Eu não nutro simpatia
    Por quem é servil, submisso
    Ser lacunoso, omisso
    É ato de covardia
    Conselhos do tipo
    É melhor ficar calado
    Eu ouço e tomo cuidado
    O meu calar é provisório
    Evito o contraditório
    Ouço a voz da razão
    Busco a convicção
    Pra ter ação assertiva
    Faço a minha afirmativa
    E fico em paz com o coração. 
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  4. Todo mês de São João
    Eu me pego assuntando
    Como um filme vão passando
    Coisas que vi no Sertão
    Na lembrança vêm e vão
    Me fazendo um bem danado
    Vejam como era falado
    O nosso nordestinês
    Com esmero pra vocês
    Diálogos do meu passado
    Num fresque não
    Pare de buli aí
    Arrudei, saia daí
    Tá cum a gota serena?
    Minha paciência é pequena
    Qui nem coice de preá
    Pegue o beco, sai pra lá
    Hoje ela tá cum a bixiga
    Deixe de zig ziga
    Tá doida pra apanhá
    Ôxe manhinha, danô-se
    Que aperrei da mulesta
    Tô me arrumando pra festa
    Decá um xeiro no cangote
    Que acha desse decote?
    Ela tá isprivitada
    Num mi arresponde nada
    Fica dando muxicão
    Mas quando é meu irmão...
    Ela fica abestalhada
    Também visto...
    Eu tô cum pena do pobe
    O pai dele amarrou o bode
    Pur causa duma besteira
    E cum as costa da peixeira
    Deu-lhe forte no vazi
    Só parou purque pidi
    Tô cuma zueira danada
    Eu fico encabulada
    Quando batem no meu fi
    Cabosse paz...
    Seu pai foi lá pra budega
    É hoje que ele cega
    E vai chegar bebo bosta
    Hoje eu vou virar de costa
    Num vou dá nem pra conferí
    Num adianta pedí
    Ele só faz as avessa
    Hoje num quero é cunvessa
    Vou deitá cedo e durmí
    Ô disgrama
    Infeliz das costa ôca
    O batom só deu pra boca
    E o vermei das buxexa?
    Eu amarrei as madexa
    Diga mãe, eu tô bunita?
    Mãe quando se isprivita
    Fica dano gelo na gente
    Ela qué que eu me apoquente
    E avergõe ela cum as visita
    É hoje que a vaca tosse
    Num tem ninguém que me pegue
    Eu vou é amarrar meu jegue
    Cum o fi de Zé de João
    Ele num cuidado não
    Num sou de perder viaje
    E aquela catrevage
    Que ele mande passear
    Pois se eu disconfiar
    Dô iscandulo na cidade
    Você num vá cum muita sede
    Qué pra num quebrar o pote
    Pois lá tem macho de lote
    Num procure imbuança
    Quem corre muito se cança
    O qué da gente é da gente
    Divagar num si apoquente
    Pois o qui é seu é seu
    O outro se escafedeu
    Faça agora diferente
    Ela foi fazê maimota
    Cum o fi de Zé de Rita
    Esquentou a piriquita
    E fez o qui num divia
    O cabra no outro dia
    Selou a burra foi embora
    Casou pelo o mundo afora
    E ela qui ficou só
    Vai morrer no caritó
    Quem dhabo qué como nora?
    O povo naquele tempo
    Falava pelos cutuvêlo
    Mas duma coisa tinha zêlo
    Gostavam do seu torrão
    Das coisas do meu sertão
    Gosto sempre de lembrar
    Ouvir estórias e contar
    Dando sempre um tom jocoso
    Pois eu me sinto orgulhoso
    Das coisas do meu lugar . 
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  5. Eita Brasil danado
    É um país diferente
    Pois tem dois presidente
    Isso é que é gostar de baderna
    E nem um dos dois governa
    Ninguém manda na nação
    Em nome da corrupção
    A presidente foi deposta
    Trocaram merda por bosta
    Tá a maior confusão
    O presidente provisório
    Não pode sair na rua
    Pois o povo senta-lhe a pua
    E o chamam de golpista
    Ele aparece na lista
    Da operação lava jato
    Não é hipótese, é fato
    Ele tá todo encalacrado
    Dizem ser ele pau mandado
    E o seu poder, abstrato
    E o tal do Eduardo Cunha
    Um importante Pastor
    Da moral um impostor
    Um professante do gabo
    Um enviado do diabo
    Mestre da corrupção
    Adora uma confusão
    Só gosta de coisa fina
    Com dinheiro de propina
    Ele comprava a eleição
    E o presidente do senado
    Que já uma vez renunciou
    E do povo ele zombou
    E escapou da cassação
    Comprou sua reeleição
    O impeachment ele comanda
    É o maestro da banda
    Que dá o tom da tocata
    Mestre em negociata
    Doutor em corrupção
    Tem gente no STF
    Que tem passado obscuro
    Mas é negro o seu futuro
    Inda pousa de paladino
    Pensa que o povo é menino
    Mas vai chegar sua vez
    Não tem qualquer honradez
    E com dinheiro se empolga
    Mas ele vai perder a toga
    E vai pagar o que fez
    Sim, e o Aécio Neves
    Que faz o povo de otário
    Acha ser dele o erário
    Faz do público o privado
    Um desonesto abnegado
    Pousa de honesto e valente
    Dessa vez é diferente
    Melhor parar de sonhar
    Pois quem nasce pra cheirar
    Nunca vai ser presidente
    Acorda povo, acorda
    É a hora da mudança
    Quem busca é quem alcança
    E atinge a maturidade
    E quem na adversidade
    Sabe tirar lição
    Se une, se dá a mão
    Usa o voto com saber
    Não deixa se corromper
    E vai limpo pra eleição.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

CONVITE - Câmara Cascudo: 30 anos de “encantamento”
 
Prezado(a) Amigo(a):
 
Integrando as comemorações dos seus 80 anos de existência, a Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, em parceria com o Ludovicus - Instituto Câmara Cascudo, convidam a todos para a homenagem ao fundador da ANRL, Luís da Câmara Cascudo, por ocasião dos seus 30 anos de "encantamento".
A programação constará de mesa-redonda, exposição de obras raras, apresentações musicais, lançamento da 4a. edição da obra "Câmara Cascudo - Um brasileiro feliz" de Diógenes da Cunha Lima e lançamento do cordel "Câmara Cascudo: 30 anos de encantamento" de Marco Haurélio com capa de Jô Oliveira.
 
Serviço:
Data: 19 de Julho de 2016 (terça-feira)
Horário: 18 h
Local: Salão Nobre da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras - Rua Mipibu, 443, Petrópolis, Natal/RN.

Um grande abraço,

Daliana Cascudo
Presidente LUDOVICUS
3 anexos
 
 
 
 
 
 
 
 

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Literatura

Escritor sírio Abud Said mostra seu estilo provocador em São Paulo

Vaiado durante debate na Flip, autor radicado em Berlim estará no Instituto Goethe da capital paulista para apresentar o seu primeiro livro, "O cara mais esperto do Facebook".






O sírio Abdul Said conta que não pretendia ser escritor, mas que acabou se tornando um quase que por acaso. Sua "revolução pessoal" começou em 2009, ao compartilhar relatos do cotidiano e textos poéticos de sua autoria no Facebook.



Alguns desses textos eram críticos e provocativos a ponto de chamarem a atenção de escritores e intelectuais, e ele acabou compilando parte deles no livro O cara mais esperto do Facebook.
Ao falar com humor negro sobre seu cotidiano, sua mãe, a dependência do cigarro, dúvidas da vida e mesmo sobre a situação de seu país, Said ultrapassou barreiras da língua e também fronteiras.
Agora seu o livro está sendo lançado em português, no Brasil, onde Said foi um dos autores convidados da Festa Literária de Paraty (Flip). Nesta quinta-feira (07/07), ele estará apresentando e comentado a obra no Instituto Goethe, em São Paulo.
Nascido em 1983 na cidade de Manbij, na província síria de Aleppo, Said concluiu o ensino fundamental e passou a aprender funilaria, trabalhando por três anos em uma fábrica no Líbano. Chegou a ingressar na universidade para estudar economia, mas o curso foi suspenso por causa da guerra civil no país.
Seu livro, que reúne textos escritos entre 2009 e 2013, acompanha a vida do autor na Síria antes da guerra civil iniciada em 2011 e continua pelos primeiros anos do conflito, até chegar a 2013, quando a fama virtual de Said deu origem a um e-book, lançado primeiramente na Alemanha.
O evento de lançamento do seu primeiro livro permitiu que Said escapasse da Síria e fosse para a Alemanha, onde ele vive como asilado político. Ele também escreve colunas para um site e um jornal alemão.
As observações e opiniões do autor abordam temas como guerra, amor, solidão e injustiça. Seu estilo foge do politicamente correto, sendo irônico e sarcástico. Sua postura de anti-herói e suas críticas ácidas acabaram rendendo a ele vaias e aplausos em terras brasileiras.
Durante a Flip, na mesa de discussão "Síria mon amour", o autor criticou a cobertura midiática sobre guerra e a "turma dos direitos humanos", que, para ele, é doente e precisa de ajuda. "Não quero falar sobre a Síria, os refugiados e a guerra não me interessam. Não falo sobre assuntos sérios, comecei a escrever para me divertir", afirmou, segundo o jornal O Globo.
O público reagiu a esses comentários com vaias e ofensas, mas antes o escritor havia sido aplaudido, ao demonstrar uma irreverência que provocara risos.
Nesta quinta-feira, a partir das 19h30 no Instituto Goethe, Said falará com Leonardo Gandolfi, escritor e professor de literatura portuguesa na Unifesp. O evento, com entrada franca, é mediado pelo poeta, tradutor e editor Cide Piquet.
"Fausto"
Deutsch Welle

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